Psicologia Analítica

A BATALHA DO ADULTO CONTRA O PARAÍSO INFANTIL

O Arquétipo segundo Carl Gustav Jung (2016) se origina da observação reiterada de que os mitos e os contos da literatura universal encerram temas bem definidos que reaparecem sempre em toda parte. 

Jung (2016) nos aponta que os arquétipos não possuem conteúdos determinados, eles só são determinados em sua forma através de um grau limitado. Os arquétipos na visão Junguiana são responsáveis pela formação de padrões de comportamento. De acordo com Viviane Thibaudier (2014), os arquétipos são representações universais presentes no Inconsciente Coletivo. 

No presente artigo, pretendo abordar com o caro(a) leitor(a) o Arquétipo Criança.

A criança, na perspectiva junguiana, representa o início de tudo, a descoberta de tudo o que é novo, de tudo o que é desconhecido é necessário para o desenvolvimento da personalidade. No curso do desenvolvimento humano, podemos dizer que a infância é um período que nos remete ao paraíso, que vai sendo revelado a partir do momento que vamos evoluindo e adquirimos conhecimento. 

O Arquétipo criança nos revela as experiências típicas da vida. A priori todos nós que nascemos crianças, nascemos em condições precárias e vamos evoluindo ao longo do tempo buscando a autonomia do eu. Este processo Jung (2016) denomina como Individuação. 

A criança se encontra em processo de formação, portanto, tudo o que está no início é imperfeito. O arquétipo criança é o futuro em potencial. A criança em si prepara uma futura formação de nossa personalidade. 

O Arquétipo Infantil também nos desperta para uma divindade mitológica presente em nós. 

De acordo com os estudos propostos por Marie-Louise Von Franz (1992), Puer Aeternus é o nome de um deus da antiguidade que significa o “menino eterno”. Na visão psicológica, trata-se do adulto que permaneceu no tempo da infância ou da adolescência.  O Puer é o que denominamos a eterna criança em seu mundo de sonhos, brincadeiras e fantasias. O Arquétipo Puer nos remete aquela criança que nunca cresce, não se desenvolve e não amadurece. Um dos exemplos mais comuns deste arquétipo se faz presente no personagem Peter Pan.

Para Von Franz (1992), o arquétipo Puer se define como a imagem da criança divina e representa a renovação da vida, o fortalecimento da juventude em nossa psique. No entanto, essa criança divina carrega em si a sombra da infantilidade, que pode impedir o progresso e também fazer com que nos tornemos dependentes e até mesmo preguiçosos. Tornamo-nos fugitivos diante dos problemas da vida e não amadurecemos.

Dentro de cada um de nós, a criança possui um papel fundamental. Não podemos deixar a criança interior morrer. É preciso permitir que ela viva e possa desempenhar a sua função em nossa personalidade. Porém o equilíbrio é fundamental para o desenvolvimento saudável de nossa psique. 

Em muitos momentos na vida é preciso resgatar a criança que reside em nós, para podermos encarar as duras realidades que a vida nos impõe e que carregamos em nós mesmos. Mas também, não se pode ser criança o tempo todo. Precisamos crescer, evoluir e assumir as responsabilidades que a vida nos propõe.

Tudo aquilo que não é canalizado de uma forma sadia, torna-se unilateral. Toda unilateralidade é prejudicial, assim como todo desequilíbrio é patológico.

 

Evandro Rodrigo Tropéia / Instituto Freedom

CRP: 06/143949

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

JUNG, C.G. Memórias, Sonhos e Reflexões. 2016. Ed. Nova Fronteira

Marie-Louise Von Franz. Puer Aertenus. A Luta do Adulto contra o Paraíso da Infância. 1992. Ed. Paulus. Coleção Amor e Psique

Viviane Thibaudier. Jung. O médico da Alma. Ed. Paulus. Coleção Amor e psique. 2014.

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