Psicologia Analítica

A consciência e sua relatividade

Quando os conteúdos psíquicos estão mais conscientes, estes conteúdos funcionam de forma específica. Em geral adquirem um caráter mais objetivo e pessoal, possuem uma natureza que tem relação com a adaptação do indivíduo e podem ser analisados de maneira focal e com mais clareza.

Os conteúdos que estão na consciência “perdem seu caráter automático e podem ser transformados substancialmente. Despojam-se de seu invólucro mitológico, personalizam-se e se racionalizam, entrando no processo de adaptação que tem lugar na consciência, e, deste modo, torna-se possível uma espécie de discussão dialética.” (JUNG, 2013, p. 134)

Mas é sempre bom lembrar que um dos pontos chave da psicologia de Jung é compreender que em tudo veremos a presença dos opostos, da relatividade e da complementaridade. Se falamos de algo, também devemos considerar seu oposto. Se pensamos em algo, devemos considerar o pensamento oposto, se sentimos algo, como está o sentimento oposto à isso? Oposto seria complementar. Uma psicologia que considera a dinâmica dos opostos complementares.

A relatividade portanto está sempre presente. A afirmação de algo deve ter o cuidado de ser vista como uma suposição.

“…a consciência é também relativa, pois abrange não somente a consciência como tal, mas toda uma escala de intensidade da consciência. […] Consequentemente existe uma consciência na qual o inconsciente predomina, como há consciência em que domina a autoconsciência. Este paradoxo se torna imediatamente compreensível quando nos damos conta de que não há nenhum conteúdo inconsciente a respeito do qual se possa afirmar com absoluta certeza que é em tudo e por tudo consciente, pois isto necessitaria uma totalidade inimaginável da consciência, e uma totalidade desta natureza pressuporia uma totalidade ou integralidade igualmente inimaginável da mente humana. Assim chegamos à conclusão paradoxal de que não há um conteúdo consciente que não seja também inconsciente sob outro aspecto. É possível igualmente que não haja um psiquismo inconsciente que não seja, ao mesmo tempo, consciente.” (JUNG, 2013, p. 135)

Referência Bibliográfica:

JUNG, Carl G. A Natureza da Psique. Coleção Obra Completa de C. G. Jung. Vol. 8/2. Trad. Mateus Ramalho Rocha. 10 ed. – Petrópolis: Vozes, 2013.

Texto:

Alessandra M. Esquillaro – CRP 06/97347

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