Psicologia Analítica

ENSAIOS SOBRE O RESULTADO DA PSICOTERAPIA SEGUNDO CARL GUSTAV JUNG

No presente artigo, quero compartilhar com o caro leitor alguns apontamentos importantes a respeito da prática da psicoterapia que nos foi deixado pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961).

Sabemos que a psicoterapia é uma ferramenta fundamental que nos proporciona o melhor conhecimento de nós mesmos e o fortalecimento do Ego, que é o Centro da nossa Consciência. O processo psicoterapêutico também nos auxilia no caminho da Individuação e assim, se configura o grande encontro com o nosso Self (o Si mesmo).

Segundo Carl Gustav Jung (1932), a personalidade é basicamente o mais poderoso agente da terapia. Através do esforço para criar nossas próprias concepções, esboçamos a personalidade do paciente. A partir deste pensamento proposto por Jung, define-se que a Personalidade é o objeto de Estudo por parte do psicoterapeuta. Porém, a personalidade vai mais além de uma investigação externa, afinal, a personalidade não é padronizada, ela é subjetiva e cada ser humano a desenvolve de forma muito particular.

A Prática da psicoterapia Junguiana consiste em trabalhar de dentro para fora, ou seja, o processo terapêutico com base na Psicologia Analítica visa à expansão do pensamento, do autoconhecimento, a elaboração dos conflitos internos e a busca pelo equilíbrio.

Para Hans Dieckman (1972), todos nós carregamos em nossas vidas, um imenso conteúdo de emoções que se concentram em nosso interior que precisam ser elaboradas e traduzidas em imagens, isto é, os conteúdos inconscientes precisam encontrar alguma maneira para se expressar, seja através da linguagem, das atitudes e até mesmo através de uma expressão simbólica. Sendo assim, afirmamos que os conteúdos inconscientes se tornam conscientes.

De acordo com Carl Gustav Jung (1932), o tratamento psíquico é sempre algo misterioso quanto aos seus resultados. Mas se a personalidade consciente estiver ainda bem conservada e houver, além disso, uma razoável porção de Inteligência e boa vontade, deve-se sim fazer a tentativa de um tratamento. 

Conforme os estudos propostos por Cunha (2000), o atendimento clínico não existe apenas para nos dar respostas ou nos apontar a cura para nossas neuroses. O Processo Terapêutico é muito mais do que isso, pois ele nos remete a um contexto de Aliança Terapêutica (Relação de Confiança).

O psicólogo está ali como nosso auxiliar. Ele não tem o poder de nos proporcionar a cura, mas pode nos auxiliar na busca pela cura tão almejada. A Psicoterapia não pensa pelo paciente, pelo contrário, ela o auxilia no contexto da expansão de seu próprio pensamento.

O objetivo da psicoterapia não é fornecer ao paciente respostas ou receitas prontas, mas sim fazer com que o analisando elabore todas essas emoções internas, formulando as sua própria linha de pensamento, através do conhecimento de si mesmo.

Estar em Atendimento Clínico significa que você não está mais pensando sozinho. Estar em Terapia significa “pensar junto” – você e o analista.

Jung (1932) nos aponta que de qualquer forma, é melhor que aconteça algo do que nada. Fato é que o processo psicoterapêutico sempre irá provocar algo em nós. Algo revelador, transformador e muitas vezes, até doloroso. No entanto, é um processo necessário e fundamental em nossa caminhada na estrada da Individuação.

Evandro Rodrigo Tropéia / Instituto Freedom

Psicoterapeuta. CRP: 09/143949

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CUNHA, Jurema Alcides – Psicodiagnóstico V – 2000

HANS DIECKMAN, Berlim (Revista de Psicologia Analítica – Vol III, nº 1 – Março 1972) – trad. Denise Mathias e João Bezinelli

Jung, Carl Gustav: Cartas / C. G. Jung; tradução Edgard Orth – Petrópolis, RJ: Vozes, Volume 1. Trechos do ano de 1932.

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