Psicologia Analítica

ESPERANÇA SOB A LUZ DA PSICOLOGIA ANALÍTICA

O que vem a ser esperança?

Em muitas ocasiões me vejo refletindo sobre este tema.

Na realidade, podemos considerar a esperança como a fonte mais importante de motivação humana. Não estamos tratando aqui de uma esperança no sentido de de esperar as coisas acontecerem, mas estamos aqui falando do termo “esperançar”.

Esperar é diferente de esperançar.

Esperar siginifica estar ou ficar à espera, supor, presumir ou aguardar.

Esperançar é se animar, motivar, ou seja, sem mover na busca de algum objetivo.

A esperança consiste na emoção em relação à vida futura. Quando o ato de esperançar caminha junto com o otimismo e os bons relacionamentos, pode se construir uma melhor prevenção de desequilíbrios mentais e uma melhor qualidade de vida.

Segundo o psicólogo Viktor Frankl, a maioria dos que sobreviveram nos campos de concentração do nazismo, conseguiram a salvação por conta da esperança que eles cultivavam pela libertação.

Quando cultivamos a esperança em nosso interior, a probabilidade de vencermos as dificuldades cotidianas é muito maior, pois a esperança é uma condição fundamental que afeta todas as áreas da nossa vida.

Não existe uma receita pronta e infalível para se desenvolver a atitude de esperançar, pois cada um carrega em si mesmo uma maneira própria e única de viver e buscar a solução de seus problemas.

Ter esperança é questão de atitude individual.

Um dos caminhos é desenvolver em si mesmo pensamentos esperançosos e confrontar os pensamentos de ordem negativa. Pensar no passado com tranquilidade, mudar a rotina e cultivar o otimismo em relação aos acontecimentos do dia-a-dia.

A utilização da autoinstrução é um bom caminho. Ser autoinstrutivo significa ter a habilidade de conversar consigo mesmo. Na visão Junguiana, denominamos esse processo de solilóquio.

O psiquiatra suiço Carl Gustav Jung (1875-1961) era solitário e devido a essa solidão, ele inicia em si mesmo o processo de solilóquio, que consiste num diálogo interno, uma conversa com o mundo interno.

Para Carl Gustav Jung, o Ego deve permitir a manifestação externa do Inconsciente e o diálogo interno consigo mesmo possibilitou o desenvolvimento desse processo. Após o rompimento com Freud, Jung se deprime e vive o seu Movimento Sabático, onde ele trava consigo mesmo a maior e mais dolorosa de todas as batalhas, o confronto com o Inconsciente.

Carl Gustav Jung, também proporcionou em sua própria vida a vivência do Processo de Alteridade que consiste na bela atitude de sair de si, para se ver com os olhos do outro. “Como os outros me veem?” Segundo Carl Gustav Jung, trata-se de um movimento evolutivo extremamente necessário no caminho do autoconhecimento.

A Psicologia Analítica defende a ideia de que o Homem deve ser analisado como um todo. Essa totalidade presente em cada ser humano é dividida em quatro valorosas dimensões:

 

  • Dimensão Espiritual;
  • Dimensão Psíquica;
  • Dimensão Física;
  • Dimensão Social.

 

As questões da religião, da religiosidade e da crença da existência de um ser superior que nos move, consistem na dimensão espiritual que é inerente ao ser humano. O equilíbrio da mente e a construção de pensamentos nos remete a compreensão da dimensão mental do ser humano.

Jung definiu a religião como uma importante função psicológica, e a esperança está interligada e trabalha em conjunto com essa função determinante.

Analisando sob a ótica junguiana em relação à espiritualidade humana, o termo esperança está presente na grande maioria das religiões. A esperança se refere à busca pela salvação individual, tornando-se essencial para a sobrevivência.

A esperança nos proporciona alegria, mesmo quando estamos diante de momentos atribulados. Porém, nunca devemos nos esquecer que a esperança é uma luta e trata-se de uma luta constante. Portanto, esperança é movimento.

O cultivo das emoções positivas é o caminho para manter a saúde mental e buscar constantemente pela felicidade.

 

Autor: Evandro Rodrigo Tropéia

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