Psicologia Analítica

Masculinidade no Leito de Procusto

Procusto é um personagem da mitologia grega. Os viajantes que iam de Mégara a Atenas, eram forçados a se deitarem em seu leito de ferro. Se fossem menores, Procusto esticava suas pernas. Se fossem maiores eram esquartejados para se ajustar ao tamanho do leito. O nome Procusto significa “o esticador”, em referência à punição que aplicava às suas vítimas O domínio de Procusto findou quando Teseu decepou a cabeça e os pés, aplicando-lhe a mesma crueldade que impunha aos homens.

O leito de Procusto é a metáfora para a performance exigida aos homens pela cultura machista. Para adaptarem-se ao padrão social, muitos homens precisam amputar aspectos significativos do seu ser ou, estender aspectos estranhos para corresponder às expectativas do machismo cultural.

Por exemplo, o machismo institui aos meninos que o tamanho do pênis regula a sua masculinidade; sentencia aos homens que não há espaço para demonstrar sentimentos, emoções; treina os adolescentes para que percebam  que a masculinidade do homem é mensurável pelo dinheiro, pela marca do carro e pelo sucesso profissional. O leito de Procusto se faz presente nos ambientes familiares, escolares, empresariais e políticos e midiáticos.

O leito de Procusto é tóxico e compromete a complexidade do ser humano, engaiolando-o nos padrões estabelecidos pelos estereótipos da sociedade patriarcal. O leito de Procusto é a normalidade prescrita pela cultura patriarcal. “Ser ‘normal’ é alvo ideal do fracassado”, escreveu o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Performar-se aos estereótipos é geralmente, processo torturante para o homem cujo padrão arquetípico desvia-se da subjetividade.

Educar os homens para a normalidade do machismo representa para muitos deles um pesadelo, pois a necessidade mais profunda de muitos homens é, na verdade, poder levar uma vida distante dessa normopatia.

 

Referências

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. Vol. II. Petrópolis: Vozes, 1988.

VON FRANZ, Marie-Louise. C. G. Jung: seu mito em nossa época. São Paulo: Cultrix, 1997.

Texto: Jorge Miklos. Analista Junguiano, Historiador e Sociólogo.  Mestre em Ciências da Religião e Doutor em Comunicação. Docente dos cursos de pós-graduação do Instituto Freedom.

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