Psicologia Analítica

O INCONSCIENTE NA CONCEPÇÃO DE CARL GUSTAV JUNG

Conforme o pensamento proposto por Carl Gustav Jung (1875 – 1961), a fixação de limites no campo da consciência humana é um fato impossível de ser consumado.

Para Jung, de maneira empírica, os limites da consciência atingem o que chamamos de universo desconhecido.

De acordo com Jung, o desconhecido pode ser dividido em dois grupos:

  • Desconhecido do Mundo Externo;
  • Desconhecido do Mundo Interno.

O Desconhecido do mundo interno é o mundo pelo qual denominamos Inconsciente.

O Inconsciente, na concepção de Carl Gustav Jung (2016), consiste no mundo escondido, desconhecido de cada indivíduo. Este mundo, subjacente, fatalmente, escapa ao controle do campo da consciência.

O inconsciente exerce uma influência poderosa na vida, nas emoções, nos comportamentos e atitudes, sem que a consciência humana tenha noção de tal acontecimento.

Segundo Carl Gustav Jung (2016) , o Inconsciente para a psicologia profunda ou complexa, não tem a mesma origem que foi proposta por Sigmund Freud (1856 – 1939).

De acordo com Jung, o inconsciente é uma fonte de conteúdos que nunca se cala e ninguém pode calar, pois o inconsciente possui uma força criativa.

Carl Gustav Jung, defende a ideia de que é o inconsciente que cria o consciente. Portanto, em última análise, na concepção junguiana, o inconsciente é a mãe da consciência.

De acordo com Jung, o Inconsciente se divide em duas camadas:

  • Inconsciente Pessoal;
  • Inconsciente Coletivo.

Segundo Carl Gustav Jung (1875-1961), o Inconsciente Pessoal é o reservatório de todo material que já foi consciente, porém foi esquecido ou reprimido.

Tudo aquilo que o Ego não suporta é transferido da Consciência para o Inconsciente Pessoal.

Este nível da Psique é comparado a um receptor, pois ele tem a função de receber todas as atividades psicológicas e todos aqueles conteúdos que não conseguem se harmonizar com o processo de Individuação e com o Consciente.

O Inconsciente pessoal na concepção da Psicologia Junguiana desempenha um papel de fundamental importância na produção dos sonhos.

Todo conteúdo presente em toda a Estrutura da Psique, por mais absurdo e sem sentido que pareça, é real. Afinal, a Psique é uma grande realidade.

O Inconsciente Coletivo para Jung consiste em toda herança espiritual de evolução da Humanidade, nascida novamente na estrutura cerebral de cada ser humano.

Neste nível profundo da Psique, podemos dizer que somos todos iguais e que não somos entidades separadas, pois todos somos “um”.

Para a psicanalista e antiga presidente da SFPA (Sociedade Francesa de Psicologia Analítica), Viviane Thibaudier (2014) , todos os conteúdos originados pelo inconsciente e que retornam ao campo da consciência, tem a capacidade de permitir a compreensão de todas as relações neuróticas que mantemos com o mundo externo.

James Hollis (1998), pós graduado pelo Jung Institute em Zurique, afirma que estar em processo de psicoterapia é ir muito mais além daquilo que é visível e palpável.

O papel da Psicologia Analítica é mergulhar nos pantanais da alma, desvendar os mistérios da vida através dos vales mais sombrios da nossa mente.

Estar em análise é mergulhar no Inconsciente e descobrir as razões da nossa consciência atual.

 

Texto Evandro Rodrigo Tropéia para O Instituto Freedom.

 

Referências Bibliográficas:

HALL, C.S; Nordby, V.J. Introdução à Psicologia Junguiana. Ed. Cultrix, SP, 2003.

JUNG, C. G. Memórias, Sonhos e Reflexões. Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2016.

 

THIBAUDIER, Viviane. Jung, o Médico da Alma. Coleção Amor e Psique. Ed. Paulus, 2014

HOLLIS, James. Os pantanais da alma – Nova vida em lugares sombrios. Coleção Amor e Psique, Ed. Paulus. 1998

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