Psicologia Analítica

O UNIVERSO DOS ARQUÉTIPOS NA CONCEPÇÃO DE JUNG – PARTE II

Segundo o Psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), os conteúdos arquetípicos são frutos das marcas psíquicas adquiridas nas vivências como o contato com os fenômenos naturais, o surgimento do sol, as experiências com as figuras materna e paterna, travessias de rios e mares e muitas outras vivências que nos deparamos ao longo da jornada de nossa vida.

Para Jung (2009), assim como o homem na atualidade herdou toda uma evolução no contexto biológico, ele afirma que a humanidade também herdou uma evolução no campo psicológico.

Essa evolução é manifestada através das imagens que se configuram os Arquétipos, presentes no Inconsciente Coletivo.

Através desse artigo, quero compartilhar com o(a) caro(a) leitor(a), um pouco sobre o universo dos principais arquétipos estudados e desenvolvidos por Carl Gustav Jung. Relembrando que os principais Arquétipos são:

  • Persona;
  • Sombra;
  • Anima;
  • Animus;
  • Grande Mãe;
  • Velho Sábio;
  • Herói;
  • Self.

 

Persona: A persona são as máscaras sociais. Na realidade, a persona é tudo aquilo que mostramos publicamente.

Este Arquétipo nos remete ao processo de adaptação às exigências que a sociedade nos impõe.

A Persona que mostramos em nossa vida social, não pode e não deve ser exatamente a mesma que apresentamos em nossa vida particular.

Tudo em nossa vida, deve girar em torno de um equilíbrio. Não é saudável, em hipótese alguma, levarmos para a nossa vida particular todas as características contidas na persona.

Se assim o fizermos, nos afastaremos de nossa própria individualidade.

No entanto, é importante ressaltar que não podemos abandonar por completo as exigências que permeiam nossa vida social.

É extremamente necessário considerar a importância dos vínculos que criamos na sociedade. Portanto, devemos encontrar o equilíbrio entre o que a sociedade espera de mim e o que eu realmente sou.

 

Sombra: A sombra é considerada o Arquétipo que envolve todos os aspectos contidos em nossa personalidade.

É tudo aquilo que recusamos a reconhecer, pois a sombra é o conteúdo de todas aquelas tendências que julgamos ser inaceitáveis.

No entanto, é importante esclarecer que a sombra também possui aspectos construtivos e criativos que auxiliam a nossa personalidade.

De acordo com o pensamento Junguiano, para sermos inteiros precisamos nos esforçar para conhecer a nossa sombra.

O desconhecimento de si mesmo pode levar o indivíduo a uma posição de prisioneiro de sua própria sombra, vivendo assim, uma vida de tristezas, com desconfianças e descrenças a respeito de sua própria vida.

 

Anima: Segundo Carl Gustav Jung, anima é o lado feminino do homem. São os aspectos femininos que configuram uma parte do inconsciente coletivo do homem.

A anima é o lado emocional e sensível do masculino. Na realidade, poucos homens se sentem confortáveis em reconhecer o seu lado feminino.

Para a maioria deles, é muito mais fácil e tranquilo reconhecer a Sombra do que reconhecer a Anima.

O arquétipo Anima é o produto de todas as experiências que nossos ancestrais masculinos tiveram com suas mães (principalmente com mães), irmãs, companheiras e filhas, originando então uma imagem generalizada da mulher.

A anima modela todos os relacionamentos que o homem se depara ao longo de sua jornada. Podemos concluir que os homens enxergam suas parceiras não como elas são, mas sim, segundo a sua Anima.

 

Animus: De acordo com Jung, animus é o lado masculino da mulher. São os aspectos masculinos que configuram uma parte do inconsciente coletivo da mulher.  A anima é o lado racional do Feminino.

O arquétipo Animus é o resultado de todas as experiências que nossas ancestrais femininas tiveram com seus pais, irmãos, companheiros e filhos, originando então uma imagem generalizada do homem.

O animus moldará todos os relacionamentos que a mulher encontrará ao longo da vida. Assim como a Anima influencia o homem, podemos concluir que as mulheres também enxergam seus parceiros não como eles são, mas sim, segundo o Animus.

 

Grande Mãe: A Grande Mãe é o arquétipo que envolve as características positivas e negativas da figura materna. Também consiste no fruto de nossas experiências ancestrais (Genitoras e Matriarcas).

Características positivas – A fertilidade e a nutrição, pois ela é aquela que produz e sustenta a vida.

Características Negativas – O poder e a destruição, pois a Grande Mãe também é capaz de devorar e negligenciar a sua criação.

 

O Velho Sábio: É conhecido como o Arquétipo da Sabedoria, dos mistérios da vida e seus significados. Também pode ter o seu aspecto negativo, tais como, a rigidez, o excesso de moralidade e o falso saber.

O sentido desse arquétipo é totalmente inconsciente. Todos carregam em si o Arquétipo do Velho Sábio, infelizmente, esta figura arquetípica em nós, muitas vezes nos confundem através de discursos bem convincentes.

Políticos e religiosos são movidos pelo aspecto negativo relacionado a este arquétipo.

 

O Herói: Este é o arquétipo que luta contra todas as adversidades, tempestades e contra todo o mal.

Todos os heróis têm a sua fraqueza. No entanto, quando vemos um herói vencendo as suas batalhas, temos a sensação de libertação e conquista da nossa própria consciência.

O Arquétipo do Herói produz em nós uma ação motivadora que nos impulsiona para a busca do equilíbrio tão almejado durante a jornada.

 

O Self: O Arquétipo dos Arquétipos. O Self nos remete ao crescimento pessoal, a busca pela perfeição e sua totalidade.

O arquétipo Self, na concepção de Carl Gustav Jung, representa a unidade, a integração e a harmonia da nossa personalidade.

Ele é o Centro, assim como o Sol é o Centro do Sistema Solar. A função desse Arquétipo de extrema importância consiste na organização e na unificação, pois ele tem a poderosa missão de atrair e harmonizar os demais arquétipos.

 

O reconhecimento dos Arquétipos são peças fundamentais na análise Junguiana e nos auxiliam de forma considerável na busca pelo equilíbrio, pelo autoconhecimento e pela paz interior, sendo também uma importante ferramenta no sentido de elaborarmos e vivenciarmos nossos complexos.

 

Texto: Evandro Rodrigo Tropéia para Instituto Freedom
Psicoterapeuta
CRP: 06/143949

 

Referências Bibliográficas:

HALL, C.S; Nordby, V.J. Introdução à Psicologia Junguiana. Ed. Cultrix, SP, 2003.

JUNG, C.G. A Natureza da Psique. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2009.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.