Psicologia Analítica

VOCÊ É UM NEURÓTICO? CAMINHOS DA NEUROSE SEGUNDO CARL GUSTAV JUNG

Vamos falar sobre Neurose?

Você já se sentiu ofendido quando alguém apontou na sua direção afirmando que você é um neurótico?

Pois bem, alegre-se! É isso mesmo! Você é um neurótico! Não há nada de errado ou de mal em ser neurótico. Todos nós carregamos as nossas neuroses.

Segundo o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1) a neurose é a expressão de um processo perturbado de uma totalização do ser humano e faz parte do seu processo de Individuação. A neurose é um pacto provisório, uma espécie de solução passageira que antecede uma tentativa propícia de solução.

Na realidade, não é loucura dizer que a neurose carrega em si uma energia que nos dá sentido à vida. A neurose é portadora de inúmeros significados que ilustram a nossa existência. 

Helmut Hark (2000) nos revela que devemos ser agradecidos pelas nossas neuroses, pois a neurose contém a alma do doente e uma parte muito essencial dela. Ser neurótico é ser alguém. Toda neurose nos proporciona um aprendizado. Por isso é muito importante, através do nosso processo de análise descobrir os seguintes pontos de reflexão sobre a neurose: 

  • O que ela significa?
  • O que ela ensina?
  • Qual é a sua finalidade?

Carl Gustav Jung (1) nos ensina que é muito mais importante descobrir o “para quê” do que o “por quê” de nossas neuroses. A neurose, de acordo com Jung, não é apenas algo negativo, mas também positivo. 

Em muitos momentos da vida ocupamos a nossa mente com a pretensão e a preocupação de eliminarmos uma neurose. Diante disso, nos esquecemos que o mais importante é a arte de lidar com ela e com tudo o que ela carrega como ensinamento, contribuindo com o processo de individuação. 

Conforme proposto por Jung (1) perder uma neurose significa tornar-se supérfluo. A vida perde a sua essência. Portanto, eliminar uma neurose não significa cura e sim amputação. 

É importante ressaltar no presente artigo a neurose é diferente da psicose. Na neurose o sujeito cria o seu mundo de encanto, constrói os seus castelos de fantasia, mas consegue retornar para a realidade. Já na psicose, o sujeito mergulha no universo da fantasia e não consegue o seu retorno para o mundo real. 

O objetivo da psicoterapia, na concepção junguiana, não consiste em acabar com a neurose, mas sim transformar em experiências aquilo que ela significa. 

A partir desta proposta, o sentido da nossa existência não consiste em como se libertar de uma neurose, mas sim, como devemos carregá-las.

A neurose não deve ser curada, afinal, ela é a própria cura. O ser humano pode estar doente, mas a neurose é a tentativa da natureza de proporcionar o que chamamos de cura. 

Encontre o seu caminho.

Busque sempre pelo equilíbrio.

Faça psicoterapia!

 

Evandro Rodrigo Tropéia / Instituto Freedom

CRP: 06/143949

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

C.G. Jung. O/C. Vol. X

Helmut Hark Léxico dos Conceitos Junguianos fundamentais. A partir dos originais de Carl Gustav Jung. 2000

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